A dualidade do filme Melancolia

Padrão

O filme Melancolia, do dinamarquês Lars Von Trier, se traduz em retratos das relações humanas. Abordando os conceitos tradicionais do casamento, da estrutura familiar, do amor, da morte e suas contrariedades, além de mostrar como as pessoas reagem quando a morte se aproxima e não há salvação.

A trama durante seus 136 minutos é dividia em duas partes, que se desenvolve em torno de duas mulheres e irmãs: a primeira dedicada a Justine (Kirsten Dunst) é a  caçula, insegura, rebelde e em pleno estado de melancolia. E a segunda Clarie (Charlotte Gainsbourg) é a mãe, esposa que segue os preceitos tradicionais, sendo considerada a racional. Ambas as personagens ganharam voz em cada parte do filme onde materializa uma reflexão sobre a relação familiar.

A atriz norte-americana Kirsten Dunst, que interpreta Justine, uma das irmãs protagonistas, venceu o prêmio de melhor atriz este ano pela Festival de Cannes. Enquanto, a francesa Charlotte Gainsbourg que interpretou a irmã mais velha Clarie também ganhou em 2009 como melhor atriz no Festival de Cannes por Anticristo, filme do mesmo autor.

Enquanto “Melancolia” é um planeta que se aproxima da Terra prestes a devastá-lo, melancolia também é a doença que atormenta a personagem Justine. E os tons de sépia, a belíssima fotografia, a música de Beethoven (como a “Nona sinfonia”) e a visão sempre noturna transmitem ao telespectador uma sensação de angústia e desespero.

A sensação de impaciência no telespectador é reforçada pela utilização de câmeras trêmulas, um dos aspectos das câmeras handycam. Característica marcante do autor que construiu o filme no momento pós depressão vivenciado no filme Anticristo.

Texto: Suiá Silva

Melancolia, uma abordagem sobre a fragilidade da existência humana

Padrão

No filme Melancolia de Lars Von Trier, Justine (Kirsten Dunst) e Michael (Alexander Skarsgård) estão celebrando seu casamento na casa da irmã da noiva, Claire, (Charlotte Gainsbourg) e de seu marido John (Kiefer Sutherland) enquanto um planeta chamado Melancolia está prestes a colidir com a Terra, resultando em total destruição do nosso planeta. E é em meio a esses dois acontecimentos que o filme aborda a existência de Justine e Claire.

A película é dividida em duas partes. A primeira foca na visão de Justine que se vê prendendo-se a um casamento que não deseja e jogada em um mundo que não a compreende e esmaga seus sonhos e desejos. Para Justine a colisão do planeta Melancolia com a Terra seria a solução para os seus problemas, para a sua dor. A segunda parte foca na visão de Claire sobre o fim do seu mundo. Ao contrário da irmã, Claire encara o fim do mundo com desespero, pois resultaria no fim de sua família e da felicidade que ela gozava. Para equilibrar isso, Jonh acredita fielmente na ciência que descarta qualquer possibilidade de uma colisão.

Ao mesmo tempo, as irmãs buscam se encontrar em meio as suas interpretações quanto a chegada do planeta Melancolia. Esses dois comportamentos opostos se confrontam durante o filme e chegam aos seus extremos, fazendo emergir a verdadeira personalidade das duas.

O objetivo do diretor é mostrar como o ser humano pode reagir diante da certeza do fim, quando não se tem mais controle sobre si e só o que importa é o que já passou, que tudo tem durabilidade. Em contrapartida a isso o filme mostra que, por mais eminente que seja o fim, a esperança é o único que sentimento que pode nos trazer conforto, paz.

Devem ser destacados, também, a trilha sonora com músicas de Tristão e Isolda, os efeitos especiais utilizados sem exageros, a fotografia que abusa dos tons laranja e escuros intensificando a energia das cenas e a iluminação que serve como indicador para o que o público deve enxergar, forçando-o esquecer o resto por ser irrelevante, como quando Justine se deita ao luar. O cenário, por vezes, se assemelha mais a uma pintura. Bem dosadas, essas combinações mais a brilhante atuação do elenco, em especial Kirsten Dunst (ganhadora do prêmio de Melhor Atriz do Festival de Cannes 2011) e Charlotte Gainsbourg, formaram um filme rico quanto ao conjunto da obra. De fato, um acerto do polêmico Lars Von Trier.

Texto: Bruna Correia

Vida X Melancolia

Padrão

O diretor dinamarquês Lars Von Trier traz, com o filme Melancolia (2011), o desamparo do ser humano unindo ao medo da morte e o desejo de ser feliz.

O filme tem um início dramático com os personagens se movendo e se expressando vagarosamente. As imagens dão uma prévia do que estar por vir. A trilha sonora vem intensificar as sensações transmitidas pelas imagens e efeitos especiais.
Uma segunda Lua que na verdade é o planeta Melancolia começa a se aproximar da Terra, e é a partir desse ponto a história é divida em duas partes.

A obra cinematográfica faz uso da câmera na mão, movimentos bruscos, enquadramentos desfocados, cortes rápidos e contempla as imagens em movimento que contribuem para uma construção de momentos mais reais e intensos.

A primeira parte, Justine, protagonizada pela atriz Kirsten Dunst, a narrativa é concentrada na festa de casamento da personagem que inicialmente se mostra feliz com a comemoração, mas com o tempo alterna momentos de solidão, tristeza e a depressão, instabilidade causada pela aproximação do planeta Melancolia. Com tantas alternâncias de humor Justine acaba-se por separar do marido.

A segunda parte do filme, Claire, nome da personagem de Charlotte Gainsbourg, mostra Justine totalmente abalada e incapaz de realizar pequenas atividades diárias.

O planeta Melancolia se aproxima e alguns cientistas veem como um espetáculo grandioso, enquanto outros preveem o extermínio de todos na Terra.

Com a proximidade do planeta, Claire se mostra muito abalada e Justine mais serena. O fim do mundo vira certeza e basta às personagens esperarem pelo momento. Claire desesperada tenta fugir, em vão, levando com ela o filho, já que Justine se recusa a ações que não solucionarão.

Conformadas com o fim do mundo, Melancolia agora está totalmente dedicado em registrar o comportamento de duas irmãs em ocasiões definitivas, tendo em comum a onipresença do planeta Melancolia.

Texto: Laís Amorim

Uma vida cinza: Melancolia

Padrão

Tristeza, angústia e leveza, é assim que pode ser caracterizado o longa-metragem Melancolia que foi lançado em 2011, do cineasta dinamarquês Lars von Trier. A trama conta a história de Justine, é interpretada pela a atriz norte-americana Kirsten Dunst, uma bela mulher que tem o casamento dos seus sonhos, com o homem que ama, mas a felicidade não dura mais que uma noite. Justine mergulha em mar cheio de tristeza e depressão. O telespectador tem facilidade de sentir a angústia da protagonista e a drama da história.

O filme tinha tudo para ser maçante, cansativo e sonolento, mas passa longe disso. A trama vai tomando um rumo interessante e revelador, surpreendendo a cada cena. É obvio que há os que prefiram filmes com grandes finais felizes, para esses o filme não faria o menor sentindo e seria interrompido na metade. Melancolia não foi feito para ser mais um filme em meio a tantos que são lançados todos os dias, mas sim para aqueles que amam um bom drama, ou para os que discordam de algumas hipocrisias da sociedade. O longa foge do senso comum do mundo mágico do cinema, talvez por isso seja tão interessante.

Construído através de lindas paisagens, imagens bem produzidas e cores que retratam a ideia do filme, a fotografia de Melancolia é um dos pontos que merecem a atenção do telespectador.

O planeta Melancolia que se aproxima da terra dá um toque de desespero a mais no filme, alias, ele é que deixa a história ainda mais interessante, intrigante e curiosa. Azul como a Terra e misterioso, ele ficou escondido atrás do sol durante todo esse tempo. E conforme o planeta Melancolia vai se aproximando da terra, o sentido da cabeça de Clarie, que depende da irmã para encarar o fim da sua vida.

O longa aborda a valorização da vida de outra forma, o lado da tristeza, da infelicidade, da angústia prevalece na trama. É bom às vezes sair do mundo de Alice no país das maravilhas e apreciar bons filmes, onde nem sempre os protagonistas vivem felizes para sempre.

Texto: Lorenlai Caribé

Letícia Parente no sarcasmo do cotidiano

Padrão

A exposição de Letícia Parente, em cartaz no Museu de Arte Moderna, com curadoria de Katia Maciel e André Parente – filho de Letícia – traz para o público pela primeira vez no Brasil, uma ideia de conflitos entre cotidiano e reprodução em série no corpo.

Logo no primeiro momento, Letícia Parente traduz a sua melhor forma de expressão: a fusão arte-vida. A artista pesou a mão, mas não de forma negativa, na hora de tratar da vida, do dia a dia, das questões rotineiras, no que diz respeito ao universo feminino. Letícia conseguiu em suas fotografias e vídeos fazer com que o espectador se identificasse o que estava sendo exposto.

Letícia Parente foi personagem da sua própria exposição e utilizando objetos diversos, Parente atraiu a atenção para a casa e o comportamento humano. Com o toque de criatividade, ela usou da agulha ao cabide, do carimbo ao tubo de ensaio. O que até remeteria quem leu a sua biografia a relacionar com o seu mundo, com a sua formação. Letícia é doutora em Química.

Apesar de em sua exposição ser possível encontrar fotografias, vídeos, pinturas e xerox, os audiovisuais foram o carro chefe daquela imensidão de obras, como “Nordeste”, “Tarefa”, “Carimbo”, “Marca Registrada”, “In”, “Chamada” e “Quem Piscou Primeiro”.

Em “Marca Registrada”, Letícia aborda uma surpreendente cena, onde uma mulher costura em seus próprios pés, a frase “Made In Brasil”, o que significa justamente a garantia, a marca registrada daquela mulher. Já na obra “Tarefa 1”, a própria deita-se sobre uma tábua de passar e alguém passa a roupa a ferro (com a artista dentro da roupa), talvez fazendo um sarcasmo com o cotidiano.

Vale lembrar que Letícia é baiana, soteropolitana e, durante o seu tempo dedicado à arte, pôde ministrar sua primeira exposição no Brasil sobre arte e ciência, além de ser considerada uma das precursoras da videoarte no país.

Dentre pinturas, vídeos, fotografias e, o mais curioso, a performance pessoal da artista, para consumidores de cultura que gostam de se surpreender com combinações improváveis ou, sarcasticamente divertidas, a exposição Letícia Parente é ponto marcado.

Texto: Larissa Meira

Como você enfrentaria o final do mundo?

Padrão

Dirigido pelo cineasta dinamarquês Lars von Trier, o filme Melancolia (2011) ilustra relações entre seres humanos e o comportamento de cada um deles diante de assuntos cotidianos como o amor, a felicidade, a depressão e o mais temido pela sociedade: o fim do mundo.

A trama é dividida em duas partes. Na primeira o cenário é o casamento da personagem Justine (Kirsten Dunst). Aparentemente frágil e romântica, a garota é forte e racional ao demonstrar falta de entusiasmo com o matrimônio e conformismo com a destruição da vida. A segunda parte é dedicada à figura dramática de Claire (Charlotte Gainsbourg) irmã de Justine.

Claire no primeiro momento do longa representa uma figura feminina convencional, sensata e objetiva. No decorrer da história, começa transmitir desespero e medo com a possível destruição da Terra, ocasionada pelo choque com o planeta Melancolia. Tentando se convencer que o fim da vida não irá acontecer, Claire encontra no marido Jonh (Kiefer Sutherland) força para enfrentar momentos de insegurança.

Com duração de 2 horas e 16 minutos, o filme retrata uma experiência pessoal de depressão vivida pelo diretor Trier. Ele acredita que as pessoas têm que encarar o fim do mundo como um final feliz, sem muitas lamentações – comportamento da personagem Justine – “se você não o aceita, é uma viagem terrível (…), pois não vamos viver para sempre”, afirma o cineasta em entrevista a revista Época (setembro de 2011).

A utilização de movimentos de câmera lenta no começo e final do filme, bem como a trilha sonora com composições de Richard Wagner desperta no telespectador nervosismo, tensão e angústia, ainda mais, quando o clico da história dos personagens principais vai se fechando.

As ilusões foram se desfazendo no momento em que o Melancolia se aproximava dos “olhos” das personagens e apesar de apresentarem comportamentos e percepções diferentes, as irmãs Justine e Claire enfrentam juntas, na ficção, o fim da vida. E você o que faria quando descobrisse que o mundo iria acabar em alguns dias?

Por Caroline Garrido

Melancholia

Padrão

Melancolia faz alusão a duas situações: uma em que é um planeta que chocará com a Terra causando a extinção da raça humana e a outra situação é o sentimento causado pela ausência de amor e de esperança.

O que vemos é uma repetição do papel feminino, como no Anticristo, seu filme anterior, em que a mulher deteriora, enlouquece. Desde Dogville é possível perceber como o diretor dinamarquês se apega ao lado sombrio das personalidades humanas. No caso de Melancolia a depressão é o lado escolhido.

Em mais um filme que segue a linha do manifesto “Dogma 95” escrito por ele mesmo em 1995, Lars Von Trier utiliza de poucos cenários, uma câmera de mão e um ritmo lento para contar a história. O uso da câmera de mão é um risco enorme, na primeira exibição do filme em Cannes algumas pessoas abandonaram a sala de projeção com náuseas. Reação que foi compartilhada com espectadores de outras produções do mesmo diretor.

A película é dividida em três capítulos, um prólogo em que o mundo acaba, o capítulo um: “Justine” e o capítulo dois: “Claire”. Os jogos de câmera na cena do casamento, primeiro capítulo do filme, passam a impressão de que o espectador esteve na festa e ele mesmo fez a filmagem.

Chama atenção no filme a grande atuação de Kirsten Dunst, atriz premiada no festival de Cannes, bastante discreta mesmo sendo o centro do filme. A atriz tem no papel de Justine talvez a grande atuação de sua carreira. A distância que ela consegue gerar entre a felicidade inicial, que beira a euforia adolescente da primeira parte do filme e a tristeza, desesperança, desamor da segunda parte.

Os outros personagens crescem de importância na segunda parte: Claire (Charlotte Gainsbourg), John (Kiefer Sutherland) e Tim (Brad Corbet) são respectivamente a irmã, o cunhado e o sobrinho de Justine. Com esses personagens ela passará o fim dos dias. A personalidade cada vez mais sombria e introspectiva de Justine contrasta com a esperança infantil do sobrinho, com a esperança na ciência do cunhado, e com a esperança baseada no medo da irmã.

O filme se embasa num background de ficção científica voltado para os temas humanos e a depressão como sentimento principal. Sendo um filme de Lars Von Trier não espere por um final feliz.

Texto: Vinícius Vita Gorender